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Tecnologia, Migração e Gênero: conheça o Aplicativo OKA

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O OKA é o primeiro aplicativo do Brasil dedicado ao aperfeiçoamento do acolhimento de refugiadas/os, imigrantes e deslocadas internas/os.


Para saber como esse aplicativo pode ajudar na prevenção e denúncia de violência de gênero sofrida por mulheres migrantes, entrevistamos a pesquisadora Lycia Brasil, integrante da equipe responsável pela criação e gestão do aplicativo do Instituto Igarapé

O que é o OKA e como surgiu a necessidade de criar o aplicativo?

O OKA é o primeiro aplicativo do Brasil dedicado ao aperfeiçoamento do acolhimento de refugiadas/os, imigrantes e deslocadas internas/os. O aplicativo dispõe um vasto banco de dados com informações e contatos de instituições públicas e ONGS dedicadas ao atendimento dessas pessoas e suas necessidades. Essas informações são organizadas nas categorias: educação, documentação, saúde, moradia, emprego, empreendedorismo, mobilidade e assistência social e jurídica. Para facilitar o acesso o OKA disponibiliza o banco de dados off-line, utilizando a internet apenas para atualizar o mesmo. Além disso, o app funciona em diferentes línguas: Português, Espanhol, Francês e Inglês. Com o aplicativo instalado no seu celular a pessoa em situação de refúgio ou imigrante poderá saber quais instituições ela tem direito de utilizar e também sua localização.

Como essa iniciativa foi pensada para incluir a perspectiva de gênero nas políticas públicas?

Através de extensas pesquisas o projeto identificou uma série de lacunas no que diz respeito às questões de gênero no contexto pessoas em situação de migração. Primeiramente identificamos que nos marcos normativos e estatutos de migrantes e refugiados como a Convenção de 1951, o protocolo de 1967 e o Manual da ACNUR não incluem perspectiva de gênero nas suas recomendações. Para a região da América Latina, a perspectiva de gênero só apareceu em um marco normativo com a Declaração de Cartagena.

Segundo, para o contexto específico do Brasil, a Operação Acolhida que é a resposta do governo federal para a questão do fluxo venezuelano no país, também não incluía perspectiva de gênero no treinamento de militares que lidam diretamente com os/as migrantes em Roraima (estado fronteiriço com a Venezuela).

Diante desse contexto, como parte da metodologia do projeto OKA, realizamos série de grupos focais e rodas de conversa com refugiadas/os e migrantes, especificamente com grupos em maior situação de vulnerabilidade como as mulheres. As rodas de conversa têm como principais objetivos o desenvolvimento de um aplicativo útil, estreitar esses laços e ouvir as principais demandas relacionadas ao acolhimento e desafios na integração e as necessidades específicas das migrantes.

“No aplicativo também é possível encontrar, no nível municipal, as ONGs que auxiliam mães solteiras, acolhe vítimas de violência baseada em gênero, canais de denúncia e acolhimento. Outros serviços mapeados no aplicativo dizem respeito à capacitação profissional e informações sobre empreendedorismo, com informações de programas municipais específicos para mulheres empreendedoras.”

Ademais trabalhamos em parceria com a ONU mulheres Brasil realizando treinamentos com os contingentes militares que vão a campo através da Operação Acolhida, dando palestras sobre questões de gênero e migração.

Por fim, também trabalhamos em parceria com o Abraço Cultural e Feminicidade, na campanha ‘’Mulheres refugiadas’’ na qual realizamos rodas de conversa com mulheres refugiadas no Rio de Janeiro, para que elas contassem suas histórias de vida, e produzimos materias gráficos para colar nas ruas da cidade com o objetivo de chamar atenção para as diferentes formas de violência enfrentadas pelas mulheres migrantes.

Qual a necessidade foi observada no caso das mulheres migrantes?

 

Pessoas em situação de migração forçada e refúgio já estão expostas a uma série de fragilidades. Contudo, entre esses grupos, mulheres e meninas são os grupos em maior situação de vulnerabilidade. A começar pelo fato de que geralmente são as mulheres que ficam com os filhos no país de origem e quando decidem migrar, também migram sozinhas até o novo local de acolhida. Ao chegar à nova comunidade também encontram dificuldades para conseguir abrigo, realocação no mercado de trabalho e estão expostas a violências baseadas em questões de gênero.

 

Como o aplicativo ajuda nos casos de prevenção e denúncia contra a violência de gênero e acesso das mulheres migrantes e não migrantes aos serviços públicos?

 

No aplicativo existem filtros e categorias para sinalizar se a pessoa precisa de um atendimento de emergência ou não. A linguagem foi traduzida para ser clara e objetiva para facilitar a vitima a entrar em contato e saber os procedimentos que ela precisa seguir. Além disso, reúne todas as instituições mapeamento de todos os serviços públicos a nível federal.

Fale sobre a participação das mulheres na criação e implementação do aplicativo e qual a relação que se notou ao trabalho dessas mulheres com a tecnologia (meio predominando majoritariamente por homens).

A equipe de pesquisa do projeto é toda composta por mulheres, desde à coordenação, pesquisadora, assistente de pesquisa e voluntárias. A diretoria de tecnologia, que coordena o trabalho dos desenvolvedores, também é uma liderança feminina. As rodas de conversa feitas, especificamente com grupos de mulheres, foram feitas por facilitadoras e colaboradoras da ONU mulheres Brasil. E toda equipe foi que desenhou o projeto, desde o design do aplicativo, as suas funcionalidades técnicas e linguagem adaptada para fácil entendimento.

Equipe OKA en Roda de Conversa em Roraima

Para mais informações do projeto, você pode acessar esse site: https://igarape.org.br/oka/